Beth colocara outra vez o vestido. E se sentia poderosa.
— Não tenho sapatos — disse ela.
Wellsie tirou da boca outro grampo e o prendeu no coque de Beth.
— Não é mesmo para usá-los. Bem, deixe-me ver como você está — Wellsie sorriu enquanto Beth dançava pelo quarto de seu pai; a saia de cetim vermelho resplandecia ao seu redor como o fogo.
— Vou chorar — Wellsie cobriu a boca com a mão —, eu sei. Assim que ele a vir, começarei a chorar. Está muito linda, e esse é o primeiro acontecimento feliz desde... nem lembro mais.
Beth parou, o traje esvoaçou até fazer o mesmo.
— Obrigada. Por tudo.
Wellsie sacudiu a cabeça.
— Não fale assim comigo, ou começarei a chorar agora mesmo.
— Falo sério. Sinto-me como se... não sei, como se me casasse em família. E nunca tive uma família verdadeira.
O nariz de Wellsie ficou vermelho.
— Somos sua família. É uma de nós. E fique quieta agora! Ou fará com que eu comece...
Alguém bateu na porta.
— Tudo bem aí dentro? — perguntou uma voz masculina do outro lado.
Wellsie foi até lá e mostrou apenas a cabeça, mantendo a porta o mais fechada possível.
— Sim, Tohr. Os irmãos já estão prontos?
— Que diab...? Esteve chorando? — quis saber Tohrment. — Está bem? Santo Deus, é o bebê?
— Tohr, relaxe. Sou uma fêmea. Choro nos casamentos. Faz parte de nossas obrigações.
Ouviu-se o som de um beijo.
— É que não quero que nada a perturbe, leelan.
— Então me diga que os irmãos estão prontos.
— Já estamos.
— Bem. Vou levá-la.
— Leelan?
— O quê?
Palavras murmuradas em seu belo idioma.
— Sim, Tohr — sussurrou Wellsie. — E depois de duzentos anos, casaria com você de novo, apesar de roncar e deixar suas armas espalhadas por todo o quarto.
(“Amante Sombrio”, pag. 372-373, de J.R. Ward.
Série “Irmandade da Adaga Negra”, livro 1.)
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